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Artigo
retirado do Jornal da Lílian "Nem toda infidelidade é desamor, nem toda fidelidade é amor", diz terapeuta Sábado, 09 de março de 2002, 00h20min Dá pra salvar um caso de amor depois de uma traição? Aquela frase endossada e juramentada no altar - a que fala "até que a morte nos separe" - ainda pode ser considerada sincera? Em 2002, século XXI? É... parece que os namoros, noivados, casamentos - formais ou informais - deixaram mesmo de ser eternos. As pessoas vivem cada vez mais e, às vezes, na chamada meia-idade, se consideram prontinhas para um novo amor. Dependendo do caso, da aparência e, principalmente do status da pessoa, ela vai se deparar com muitas e muitas armadilhas. Se for casada, o objetivo será seduzi-la rumo à separação. E é claro que vão aparecer os sentimentos do pecado e da culpa da traição. Um estudo ainda inédito da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, diz que existem três estágios depois da descoberta da infidelidade. Primeiro: o drama, a tragédia grega, em que entram muita raiva e autopunição. Segundo: a obsessão pelos detalhes do caso extraconjugal. E terceiro: a fase da reconstrução, a tentativa de recomeçar, de colar o vaso quebrado. A questão que a gente levanta aqui e agora é a seguinte: dá para superar e perdoar de verdade a traição? Para responder, estiveram aqui a psicóloga e terapeuta familiar Maria Rita D'angelo Seixas e a sexóloga Maria Helena Vilela. Atrativo para amantes Para psicóloga e terapeuta familiar, Maria Rita DAngelo Seixas, o assédio é comum tanto para homens como para mulheres. O que varia é o motivo de atração. A sexóloga Maria Helena Vilela disse que estes motivos podem ser a beleza, o carisma, o status, um bom papo, o poder e o dinheiro. A terapeuta familiar concordou em parte com a teoria de que quem tem mais dinheiro é mais assediado. Quem tem mais dinheiro, tem mais atrativos. Isso não significa que o rico é um infiel em potencial, completou. Revolução sexual Há 50 anos, a traição era exclusividade dos homens, disse a sexóloga. Segundo ela, a mulher era controlada pelo homem que tinha medo de não saber ao certo sobre a paternidade dos filhos do casal. Hoje, muita coisa mudou. As mulheres estão muito mais à vontade para fazer sexo por prazer, complementou. Para a psicóloga, as pessoas também mudaram a intenção e o objetivo do casamento, elas estariam se casando mais por afetividade e menos por conveniência ou outros interesses. As pessoas estão casando muito mais por amor, afirmou Maria Rita. A especialista acrescentou: Os mais jovens são mais radicais quando o assunto é fidelidade. Os tabus Mas há tabus que sobrevivem há décadas. Seria o caso da instituição chamada família. Há casais que suportam todo tipo de dor para não prejudicar o desenvolvimento dos filhos, disse a psicóloga. Há também casos, em que o grande empecilho para um bom relacionamento conjugal é a falta de sinceridade. As pessoas não gostam de enfrentar o ciúme do parceiro ou aguardar por uma reação inesperada quando o assunto é adultério. Em casos como este, a sinceridade é vista como implosão do casamento, afirmou a sexóloga. O ideal, segundo elas, seria conversar sobre todos os tipos de assunto de maneira aberta e saudável e estar preparado para ouvir e argumentar quando a relacionamento passa por uma situação delicada como a traição. Monogamia? A monogamia está incluída no que chamamos de aprendidas. Ela não faz parte da natureza humana. A psicóloga discordou, citando os riscos enfrentados pelos casais que praticam o chamado suingue (troca de parceiros), sem nenhum peso na consciência. Isso pode ser considerado uma patologia, disse. Maria Helena disse que durante estas práticas sexuais, os preservativos são quase sempre deixados de lado. Impera o álcool, as drogas e a excitação. E aí o risco de se contaminar aumenta, afirmou se referindo a AIDS e às DST. Contrato de casamento A fidelidade depende do contrato implícito no relacionamento, ou seja, até aonde o parceiro deixa ir ou admite. Seria uma espécie de contrato pré-nupcial, onde as pessoas definiriam inconscientemente o que pode ou não ser feito dentro casamento. Há pessoas que consideram infidelidade declarar atração por outras pessoas e outras que acham que apenas o ato sexual pode ser chamado de adultério, disse a sexóloga. Fidelidade, portanto, seria uma questão de ponto de vista. É exatamente, neste ponto, que está a diferença da infidelidade e da traição. Traição é quando a pessoa faz algo que está fora do contrato. É por isso, que infidelidade nem sempre é traição, afirmou a psicóloga. Fidelidade e amor Nem toda infidelidade é desamor, nem toda fidelidade é amor, disse Maria Rita. Confuso? Pois é, a psicóloga explicou que há pessoas que são infiéis porque buscam, de maneira inconsciente, a atenção do parceiro para um relacionamento que não vai bem. O parceiro pode fazer isso de várias maneiras, dando vários sinais. Inclusive, deixando pistas de uma possível traição, afirmou. Mas e a fidelidade sem amor? A fidelidade sem amor seria típica de um relacionamento de pessoas que nunca se apaixonam. O parceiro nunca se apaixonou porque tem medo. Casa por conveniência e passa a vida sem nenhum relacionamento extra-conjugal. Mas isso não é amor. Rotina sexual A rotina sexual ou a falta de sexo no casamento pode estimular o parceiro a procurar outros relacionamentos. Mas não é só o sexo que leva as pessoas a terem amantes - pode ser uma carência afetiva, um interesse econômico ou uma simples empatia. Há casos em que o marido ou esposa é melhor na cama do que o amante, disse a sexóloga. Mas é inegável que a situação se complica quando o interesse sexual pelo parceiro cai e que aquela pulada de cerca pode ficar mais fácil do que se imagina. O segredo, segundo as especialistas, seria manter acesa a atração. Depois que acaba a paixão é hora de cultivar a afetividade, disse a psicóloga. Praticar muitas atividades a dois, manter a intimidade, conversar sobre todos os assuntos e voltar a explorar o corpo do parceiro seriam os principais passos para não deixar o relacionamento esfriar. A falta de sexo é uma brecha para a existência de terceiros, concluiu. Remendando o relacionamento Depois do estrago é hora de tentar remendá-lo. Descobrir o que levou o parceiro à traição é um dos primeiros passos que deve ser tomado por quem quer reerguer o relacionamento. E depois da descoberta do real motivo, as especialistas garantem que o casamento ou namoro pode ficar até melhor. Se havia distanciamento, pode haver uma reaproximação dos parceiros, uma volta do interesse, disse Maria Rita. Mas as especialistas dizem que há pessoas que nunca consiguiriam perdoar um deslize do parceiro. "É o caso das pessoas que carregam consigo o ideal do amor romântico", disse a psicóloga. E acreditar no final deste amor pode ser a dor mais intensa de um relacionamento. "É pior do que a morte do conjuge". Roxo de ciúme A descoberta da infidelidade do cônjuge pode transformar o ciúme em perseguição. O ciúme é algo muito violento que pode trazer dor e sofrimento para os dois. É aí que se cria um processo destrutivo capaz de minar qualquer tentativa de reconciliação. A psicóloga aconselhou: O melhor é conversar e discutir o assunto. Este é o caminho para o amadurecimento. As especialistas contaram casos de pessoas tão ciumentas que acreditavam cegamente que tinham sido traídas, mesmo sem provas concretas sobre o fato. Aí os danos causados pela insegurança e pela falta de confiança são tão grandes quanto a traição real, disse a psicóloga. Durante o programa, as entrevistadas também responderam algumas perguntas dos internautas. Confira! bill diz: Porque o homem é mais suscetível a traição? Resposta para bill: Culturalmente, vemos exatamente o contrário. O homem sempre foi o detentor do poder; culturalmente, uma traição pelo homem é mais tolerada. As conseqüências são muito mais drásticas quando é a mulher que trai. Existe ainda uma outra coisa: as feministas que me desculpem, mas a mulher, ainda hoje, é mais difícil de ter um relacionamento sem afeto. Marcelo diz: Sexo virtual deve ser considerado traição? Resposta para marcelo: Depende do que VOCÊ considera traição. É difícil opinar. Para algumas pessoas, para haver traição, é preciso de uma terceira pessoa concreta (presente); mas para outras, só a fantasia já é considerada traição. roberta diz: Até que ponto uma pessoa deve se preocupar com a relação de amizade de seu parceiro com o sexo oposto? Resposta para roberta: Você deve se preocupar com a sua segurança em relação ao seu parceiro. Porque, na verdade, o que põe em risco uma relação de um casal, é a própria relação e nada mais. Ninguém é capaz de satisfazer 100% o seu parceiro. Por isso, é preciso um pouco de humildade e ver que o contato com amigos é uma parte da vida que deixam seu parceiro feliz. elcio diz: E possível acreditar em lealdade após se ter praticado traição? Resposta para elcio: Se você conversou com a sua parceira, se explicou e houve uma aceitação, sim, é possível acreditar em lealdade. O único problema vai ser se continuar existindo desconfiança. Isso acaba com qualquer relacionamento. Fernanda diz: como agir com uma traição? Resposta para Fernanda: Hum...uma pergunta complexa. Acho que você deve conversar bastante, ouvir o outro - mesmo com toda a raiva que possa estar sentindo, ouvir é muito importante. Avalie a sinceridade do seu parceiro, avalie essa traição dentro de toda a história do seu relacionamento e veja se vale a pena a reconstrução. Se não, busque o SEU caminho. Fernando1 diz: Qual a diferença entre traição e infidelidade? Se é que existe diferença? Resposta para Fernando1: Infidelidade não é necessariamente traição. A traição só existe quando alguém faz alguma coisa que não estava no "contrato" de casamento. E é difícil saber o que estava nesse contrato, já que todas as cláusulas são implícitas. PAULO diz: FUI CASADO 3 VEZES, E AS 3 VEZES FUI TRAÍDO, AGORA ESTOU NAMORANDO DE NOVO, MAS ESTOU MEIO TRAUMATIZADO. O QUE FAÇO? Resposta para Paulo: Abra o jogo, converse claramente com a sua atual parceira. Mas não se esqueça de rever seus relacionamentos passados. Procure descobrir o erro que está cometendo e mude-o. É um bom começo. ivan diz: O ser humano não foi criado para a prisão, a traição seria uma espécie de fuga? Resposta para ivan: Quando existe um casamento monogâmico, o casal passa a ser um corpo vincular. A traição vem do conflito entre o corpo individual e o corpo vincular. Não é necessariamente uma fuga. Joaquim1 diz: Será que a traição não é um reflexo da baixa estima de parceiro infiel? Resposta para Joaquim1: Pode até ser. Principalmente quando a pessoa não acredita que vai ser amada. Aí ela quer ter segurança, testar sua capacidade e acaba traindo. Pedro diz: Realizar as fantasias sexuais de sua parceira traz riscos à relação? Quero saber se esta prática pode evitar a traição? Resposta para Pedro: Se realizar as fantasias sexuais dela vai evitar a traição não podemos garantir. Mas que pode ser muito estimulante no seu relacionamento, isso sim! Tem que ver também que fantasias são essas, né? Serviço: + Terapia Familiar na Unifesp - (011) 5574.6784 - Atendimento Gratuito - De segunda à sexta - Horário Comercial. + S.O.Sex - Serviço gratuito para tirar dúvidas sobre sexualidade por telefone com profissionais do Instituto Kaplan. Tel.: 0800.552533 ou pela internet http://www.sosex.org.br |
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